Escolha de Sofia

Metropolitan Museum, NY

Metropolitan Museum, NY

Sempre que o assunto é desapego, em quase todos os casos, a conversa gira em torno daquilo que não queremos mais e que, por algum motivo, insistimos em manter. Pode ser aquela peça de roupa que não serve, a excessiva quantidade de sapatos sem uso, livros já lidos, utensílios de cozinha, brinquedos, etc.

Mas, o que dizer das coisas de que gostamos, mas precisamos abrir mão? Parece uma contradição porém, cedo ou tarde, estaremos diante de uma “escolha de Sofia*”.

Por exemplo, reconhecer que não temos mais a mesma vitalidade, força e disposição para manter as mesmas atividades físicas, iniciadas aos 20 anos. É osso! Posso dizer, pois já passei dos 50 e sinto nos ossos essa mudança. A cabeça continua a mil, mas muitas vezes o corpo não acompanha. E, tudo bem!

Outro aspecto recorrente é ter de mudar de padrão de despesas, tendo outra realidade financeira. A vida é assim, se transforma em ciclos e vai dando a oportunidade de selecionar, a cada estação, o que fica e o que vai. E, tudo bem, também!

Minha provocação é justamente sobre aquilo que escolhemos manter.

Para ajudar nesse exercício, vou resgatar o conceito das Câmaras de Artes e Curiosidades, dos séculos XVI e XVII. Seus proprietários eram nobres que reuniam objetos, de valor comercial ou emocional, coletados em expedições, por todo o mundo. Essas coleções particulares representavam o dono, seus gostos, excentricidades e ficavam expostas em suas propriedades. Mais tarde, migraram para o que conhecemos como museus. Para manter e renovar essas coleções, os museus criaram uma política de acervo: documento público, que define qual é a natureza ou curadoria do seu acervo. Quanto mais clara e específica essa política, tanto melhor o acervo.

Pois então, espelhando esse método, meu convite é para que você estabeleça sua política de acervo. Não apenas para os aspectos físicos, como também emocionais. Defina sobretudo, o tamanho desse acervo, avaliando do que você dá conta de manter, de forma sustentável. Tendo essa política bem clara, sua “escolha de Sofia” será consciente. Mesmo que seja dolorida, no começo, no longo prazo você se sentirá mais leve.

Se você concorda, discorda ou quer acrescentar outro ponto de vista, pode comentar aqui.

Até breve!

Bj Bj

*Do livro homônimo, de onde derivou a expressão idiomática: fazer uma “escolha de Sofia” significa ver-se forçado a optar entre duas alternativas igualmente insuportáveis.

**Deixo aqui algumas recomendações de livros e séries sobre o tema:

  • O documentário The Minimalists, no Netflix

  • Todos os livros e a série, no Netflix, da Marie Kondo

  • Let it Go”, livro do premiado Peter Walsh, referência no mundo da Organização

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